Itaperi Discos

Bicicleta, "A Tábua de Esmeralda", Fortaleza e "O Homem da Gravata Florida".





“Lá vem o homem da gravata florida,

meu deus do cèu que gravata mais linda

(...) Isso não é só uma gravata

Essa gravata é o relatório

De harmonia de coisas belas

É um jardim suspenso

Dependurado no pescoço

De um homem simpático e feliz…”


Assim é um trecho da música “O Homem da Gravata Florida”, de Jorge Ben, presente no disco “A Tábua de Esmeralda” (de 1974). É, mais precisamente, a segunda música do álbum, que contém grandes clássicos, entre eles: “Menina mulher da pele preta”, “Brother” e “Zumbi”.


Talvez, “O homem da gravata florida” ainda seja a minha preferida. Minha história com essa música começou em 2018, quando eu decidi parar de pegar ônibus diariamente e viver em cima da minha bicicleta. “A tábua de esmeralda” foi o primeiríssimo disco que transferi para o meu mp4 e, também, o primeiro que ouvi enquanto pedalava depois dessa decisão.


Passando pela Av. Silas Munguba (antiga Dédé Brasil) ainda estava ouvindo “Os Alquimistas estão chegando os Alquimistas”, primeira faixa do álbum. Quando viro à esquerda e pego a R. Dr. Justa Araújo, no sentido da Itaoca, uma rua comprida e larga, que corre um vento gostoso, começa a tocar “O homem da gravata florida”.





Começa com uma batida de violão que nunca tinha ouvido antes, deliciosa, com um suingue que lembra um atabaque. E uma letra maravilhosa, que está no início desse texto. Eu estava me sentindo o próprio, o tal homem, com a minha bicicleta ao invés da gravata, que sensação inesquecível e linda!


O disco segue com “Errare Humanum Est”, que diz, ainda naquele suingue gostoso, um pouco mais lento dessa vez:


“Tem uns dias

Que eu acordo

Pensando e querendo saber

De onde vem

O nosso impulso

De sondar o espaço

A começar pelas sombras sobre as estrelas-las-las-las…”





A partir daí, com poucos minutos de pedal, eu tinha certeza que era isso que eu ia fazer a vida inteira: cruzar a cidade de bicicleta, deixar o corpo suar, sentir o vento e ouvir um bom disco durante o trajeto. A obra de Jorge Ben foi fundamental para isso, não consigo dissociar o prazer que senti em pedalar do prazer que foi ouvir “O homem da gravata florida” e, também, o disco inteiro.


Segundo a Rolling Stone, “A tábua de esmeralda” é o sexto melhor disco da Música Popular Brasileira. Por sorte, foi meu primeiro contato com Jorge Ben e , somado a isso, tive a sorte de escutá-lo durante essa experiência incrível que foi começar a me locomover pela cidade de bike.


Recomendo a todos, tudo, o disco, a bike e a cidade de Fortaleza.


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